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quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Velhice

«Velhice», esta palavra remete-nos para o fim da vida, não como algo instantâneo mas, como tudo na vida, um processo um tanto demorado.
Não, não é fácil lidar com isto, afinal, se «tudo correr bem» iremos passar esta fase antes da morte. Talvez a velhice seja uma etapa de sofrimento para a morte não parecer tão injusta, para que nos conformemos e pensemos que é o mais desejável, o merecido descanso, o fim do sofrimento...
Na verdade, qual seria o caminho? Se a pouco e pouco me vou tornando dependente dos outros e em vez de ser útil, me torno num embecilho? Se eu morresse ao invés de estar a atrapalhar a vida dos que me amam.. certamente que seriam mais felizes, e quem sabe, eu também seria.
Já não sou ninguém, as cores tornaram-se difusas, as palavras confusas, as memórias distantes como se de uma outra vida se tratasse...os sons são indistintos, a música que eu tanto amei hoje é-me insuportável e já não tenho voto na matéria.. Nem sequer me perguntaram se eu queria vir para o lar, enfiaram-me aqui e pronto.
Já nem a comida tem sabor, nem paciência há para os livros. Vejo os dias que passam sem sentido e sinto-me vegetal.
Há quem diga que ser velho é voltar à infância, não deixam de ter razão, em parte. Ainda ontem fiz birra porque o almoço era peixe frito...:D
Ah, sinto-me pequenina, uma bébé grande, um tanto ridícula, preciso de mimos, de atenção...faz-me falta a protecção da minha mãe, as saudades que tenho dela!
Têm de me ajudar a comer e todos os dias me mudam a fralda. Sim, posso dizer que sou uma criança mas sem esperança de melhores dias.
Sim, sou criança sem sonhos, criança que não mais vai crescer, criança que não tem a vida pela frente, criança que não gosta de brincar, criança que não salta de alegria e que não suporta a ideia de futuro!
Olho para trás, arrependo-me de não ter brincado mais, de não te ter dito que te amava, de ter perdido tanto tempo com futilidades e birras no entanto, lembro todas as loucuras, aventuras, sorrisos, abraços, sonhos, lutas, derrotas e conquistas... na realidade faria tudo outra vez, mas hoje, nada disso faz sentido.
Quando deixamos de ter produtividade e utilidade, depositam-nos no contentor do lixo e, é aí que os sonhos morrem, pois ninguém sonha ficar assim, ser abandonado e magoado, ninguém sonha que vai ter rugas, cabelos brancos e que um dia não poderá voltar a correr vale a baixo ou dançar à chuva mas é na velhice, idade sem sonhos que descobrimos que ao nos tornarmos chatos, melancólicos, com cabelos brancos e rugas, quando cheiramos mal...ninguém nos quer... a verdade é esta: só nos «amam» enquanto amar não der trabalho! :(

4 comentários:

  1. E eu que julgava que era um pessimista da velhice!

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  2. Não sou passimistas, realista, pura e simplesmente.

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  3. Rita o que escreveste é uma visão pessimista da vida. Alguém que vive feliz não vê assim essa etapa da vida. Quem disse que não se produz? Quem disse que a comida deixa de ter sabor? Quem disse que atrapalham? A tua visão é a visão que esta sociedade tem dos velhos e porque a tem? Porque não quer agora participar na vida desse idoso, como esse idoso participou na vida do país, na vida dos filhos. Um idoso não deixa de produzir, não deixa de viver. Por favor não tratem os velhos mal, eles foram ontem novos, como tu és hoje. Merecem viver felizes e para tal muito conta a mentalidade dos outros. Quem pensa assim antes de envelhecer dá um tiro na cabeça, não?

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  4. Primeiro quero pedir-te desculpa por ter feito o comentário que fiz mas é que me deu muito que tu, uma jovem, veja assim a velhice. Na etapa da nossa vida em que estamos mais vulneráveis é na infância, já pensaste nisso? E viveste-a. Na velhice tens conhecimentos e capacidades que não tinhas na infância. As doenças tanto as podemos ter na velhice como em outra fase da vida. Cabe-nos mudar as mentalidades, principalmente a ti que deves ser mais nova que eu. Tenta fazê-lo mudando desde já a tua visão da velhice. Ela pode ser linda se tu não a vires feia. A nossa de beleza, de bom ou mau depende do nosso interior. É só um conselho que te ajudará a viver porque, ao contrário do que pensas, ela chega mais cedo do que imaginamos. Há alguns sintomas que por volta dos quarenta e tal chegam. Não queria de maneira nenhuma saber-te a viver uma vida aterrorizada com algo tão normal como a velhice. Um beijinho e obrigada por teres visitado um dos meus blogs

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