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segunda-feira, agosto 30, 2010

Testemunho missionário

Quando senti vontade de me tornar missionária, surgiram imensas dúvidas e receios.



Perguntava-me se era mesmo isso que eu queria e qual seria a vontade de Deus. Para além disso sou menor, não sabia por onde começar e tinha imenso medo de não estar à altura, mas nada disso impediu que Deus realiza-se em mim o Seu projecto e, penso que a ultrapassagem de todos os entraves ao descernimento da minha vocação são a prova de que é isto mesmo que Deus quer para mim.


Este Verão, os missionários da Paróquia da Ramada, lançaram-me o desafio a mim e a uma amiga, de os auxiliarmos durante a semana missionária em Vale de Prazeres. Eu nem queria acreditar, era a realização de um sonho e, mais um sinal de Deus no entanto, um dia antes de partir, fui assaltada por uma onda de dúvidas. Senti mesmo que não tinha vocação e que não estava à altura do desafio mas já era tarde para desistir e assim, fui rumo a uma das melhores semanas da minha vida.


Ao longo da missão identifiquei-me com a frase «Não tenhas medo, a vida só quer que tu sejas feliz» pois, apesar de todos os receios, a missão preencheu-me e fez-me mesmo muito feliz. Também fui marcada pelas pessoas e sinto que recebi muito mais do que dei e que podia ter dado muito mais, podia ter feito muito mais... Tendo consciência de que o maior Missionário de sempre Foi e É Jesus Cristo, nós, missionários, devemos ser bastante exigentes connosco pois imitar a Cristo não é fácil, é até mesmo impossível fazê-lo plenamente. Por esta mesma razão, entro em contradição e digo-vos que não devemos ser assim tão exigentes pois, como é obvio, muitas vezes pecamos e fracassamos na nossa Missão. Desta forma, aconselho-vos vivamente a encontrarem um ponto de equilíbrio. Cada um de nós dispõe de dons e, como comunidade, dispomos de pluralidade de dons, diferentes ao nível do serviço mas de igual importância e dignidade.


Pensamos muitas vezes, erradamente, que temos muito pouco ou nada para dar e que há pessoas que fazem muito mais coisas que nós e coisas mais importantes. Desenganemo-nos! Todos nós somos chamados por Cristo, Ele quer precisar de nós e, o mínimo que puderes fazer já é muito, é tanto... E isso é visível na gratidão, no olhar das pessoas que ajudámos (e que nos ajudaram tanto). Por isso, tudo o que puderes fazer, faz! Fará toda a diferença no mundo, na vida dos outros e na tua própria vida.


Gostava de acabar o meu testemunho com um agradecimento especial ao Padre Paulo Figueiró pois, foi graças a ele que conhecemos o Movimento Missionário e, agradecer também à Ana Maria, ao Bruno e à Daniela pelo apoio, pelo testemunho, amizade e por acreditarem em nós. Vós sois um exemplo que todos deveriam seguir:)

:)

Meu espírito dança



Reza calmamente,


Mas o corpo padece


Frio, sujo e já ausente.


Num último grito,


Direi: amo-te


Mas tu não vais ouvir.


Tardiamente digo a verdade,


Que só depois da morte


Se fará sentir.

A tua ausência

Agarrada ao corrimão subi as escadas devagar, levava no peito a esperança de te encontrar mas, a imagem era sempre a mesma. Sempre o mesmo quarto frio, escuro e vazio.



Ainda espero que no voltar a casa tu estejas lá para me dar as «boas-vindas» mas isso, hoje é impossível. Tenho a sensação de que sem ti o mundo não é o mesmo, perdeu-se algo... olho em redor e já nada é igual, olho para dentro e não vejo nada. O mundo desabou.


La Place disse: «Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma». Seguindo esta lógica pergunto-me em que é que o meu mundo se transformou, ou será que a citação não se aplica ao meu mundo? Será que se perdeu ou se está a transformar em algo que, devido ao contexto iniciático, não me é premitido vislumbrar? São tantas as hipóteses, tantas as possibilidades... mas eu tenho uma teoria nada plausível, até um tanto louca, na qual eu acredito e confio plenamente.


Será possível que o meu mundo, qual cometa, se tenha desintegrado e dispersado por esse Universo infinito? Então, o meu mundo são grãozinhos de areia que realizam viagens inter-galácticas e que detêm os segredos mais encantadores e angustiantes do cosmos. O meu mundo são também pedacinhos constituintes de estrelas que olham, sorriem, brilham e dançam para mim.


O meu mundo são pedacinhos de mundo, pedacinhos genuínos, pequeninos e felizes

Andei num cavalo voador

Esta noite, andei num cavalo voador e sobrevoei cidades, campos, mares, rios e desertos. O vento abraçou-me e as estrelas dançaram para mim. Nenhuma delas tinha dinheiro, nehuma delas sabia ler ou escrever e, nenhuma delas tinha uma casa-edifício, mas todas dançavam e sabiam sorrir.



Curiosamente, descobri que Lua podia falar comigo, disse-me que de tanto falarem com ela, acabou por aprender todas as línguas que existem. Então, quiz falar com ela, mas falar assério, daquelas conversas em que o tempo é coisa que não existe. Quiz saber o que é que as outras pessoas lhe diziam e como era ser a Lua mas ela, bastante desconcertada disse:


- as pessoas cometem um erro terrível. Têm uma enorme nessecidade de falar e comunicar mas ao invés de falarem entre si vêm falar comigo. E eu nunca respondo, na esperança que desistam, mas não faz efeito. – E dito isto pediu ao vento que sopra-se para que eu volta-se a casa, mas a minha casa, agora, era ali.

Sorriso quente

Tenho saudades do teu sorriso quente, quente como as brasas do lume onde torravamos o pão caseiro que eu te «ajudava» a fazer, quente como o lume onde aquecias o chá e a sopa, onde aqueciamos o coração nas tardes de trovoada e nas noites de chuva.



Tenho saudades do teu sorriso, quente como o sol que doirava os campos e fazia a água do poço brilhar.


Tenho saudades das tuas canções de embalar;


Tenho saudades da tua voz e das minhas primeiras orações;


Tenho saudades do cheiro da tua comida, da tua roupa, das tuas flores... tenho saudades do cheiro a terra molhada e das gotas da chuva que batiam no vidro da janela através do qual viamos os campos e me contavas histórias que ainda hoje não me canso de ouvir.


Tenho saudades das minhas memórias, da minha juventude... sem ti sinto-me estupidamente velha, cansada, inútil...


Tenho saudades tuas e do tempo em que podia ser eu.
Os meus pés correm descalços pelos campos mas já não é a mesma coisa. Tu já não moras naquela casa, hoje deserta, e o meu jeito traquina já não te pode desafiar e fugir.



Será que te lembras quando me descalçava e ensopava toda no regadio? Quando tinha acabado de tomar banho e sem qualquer problema me deitava no chão? Impacientavas-te comigo mas eu corria descalça, ia colher-te flores e respondia-te com um sorriso, e tu, tentavas mas não conseguias esconder o teu.


Passados três anos, ainda sinto que estavas lá a sorrir para mim, há instantes mas, há dias, em que passaram séculos e o abismo que se abriu entre nós fica cada vez mais fundo. Ainda não percebo porque não estás aqui quando mais preciso. Ainda não percebo porque é que a passagem do tempo tem de mudar tudo, porque é que tudo tem de mudar, se eu sou a mesma pessoa, e tu... eu sei que no fundo ainda és a mesma pessoa.


Volta para mim, deixa-me ser criança e repousar à sombra da nossa àrvore.

literatura

Ler não posso mais,



Escrever é-me impossível


A literatura cusa-me náuseas


De tão bem que mente, brincando comigo


Assim, tão descaramente...


Tento resistir, mais uma vez


Mas há algo intangível


A que chamamos verdade.


Volto a tentar,


Mas o descernimento


Esse, é escravo da vontade.


Se tivesse pensado,


Teria queimado o livro...


Pensei,


Não pensei


E num acto inreflectido, rasquei a página.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Segredos

Sou eu,
és tu,
somos  dois

não é ninguém, não somos ninguém...

Sou eu,
és tu
e as pegadas já as sinto no meu peito, mesmo antes de ouvir os teus passos

Breve brisa, sopro do vento entre a maresia e a loucura da madrugada
breves momentos em que a Lua é testemunha e as estrelas cantam para nós
e somos tanto, e não somos nada

Breve a vida, eternos os momentos

Lua

terça-feira, agosto 03, 2010

laço

Permaneces na minha memória graças ao poder transformador das tuas palavras, e acredita que estas influenciaram algumas das minhas decisões, tendo marcado a minha vida. Mas mais que isso, estás no meu coração porque me sabes olhar e porque eu sei olhar para ti, porque quando nos olhamos vemos o fundo de nós e tocamos a alma, porque me ensinas-te a ver com o coração, porque quando nos olhamos é o coração que está a olhar.


 Não há segundas intenções, não há lugar para a mentira, não há tristeza que resista à nossa amizade, e fica tudo mais claro, porque quando nos olhamos é o coração que está a olhar.

«Há instantes em que as almas se tocam»

«E as almas tocam-se do género: toca e foje?»
«Não, toca e fica.»

Porque só foge  quem não tocou a alma...